Segundo a lenda, no jogo Brasil 6 x 5 Polônia, da copa de 38, o craque da seleção na época, Leônidas da Silva, teria feito um dos gols de pé descalço. Sua chuteira estourara e, naqueles tempos em que se amarrava cachorro com linguiça, ele continou jogando enquanto alguém tentava consertar do lado de fora.
Hoje em dia isso fica apenas como anedota, afinal cada jogador de uma seleção tem 257329 pares de chuteira à disposição e também porque a regra não permite que um jogador esteja descalço se os outros estão calçados (pois é, se todo mundo combinar que é pra jogar sem nada pode).
O que me trouxe a este velho fato foi minha pequena epopéia para tomar o avião na Holanda, hoje. Esqueçam todo o resto do blog mas fiquem com um conselho: nunca marquem uma conexão com um tempo exígüo entre um vôo e outro. Não, 50 minutos entre a chegada prevista de um e a partida de outro não são suficientes, porque aviões atrasam, porque aviões precisam taxear até chegar ao ponto correto, porque passageiros de aviões são lerdos para tirarem suas bagagens, porque fiscais da imigração holandesa são ainda mais lerdos para analisar as referidas bagagens e porque, enfim, seu tênis pode desamarrar...
Quando dei por mim faltavam 12 minutos para o avião decolar, eu precisava percorrer uma distância indefinida (mas certamente longa) e não havia tempo para amarrar o maldito cadarço. De repente sinto que uma parte de mim ficara para tras. Um simpatico holandês me estendeu o calçado caido e então não tive duvidas, continuei correndo abraçado no sapato.
Deve ter sido cômico ver um passageiro apressado correndo de meia no meio do saguão, mas cheguei a tempo. Ah sim, e pelo tempo que o avião ainda demorou para sair eu poderia ter confortavelmente recolocado o tênis...
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quarta-feira, janeiro 10, 2007
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