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terça-feira, agosto 04, 2009

Pile ou face

Uma notícia que repercutiu hoje foi a declaração de algum figurão da ANVISA de que o teste rápido para a gripe suína pode ter 50% de resultados do tipo "falso negativo", ou seja, a pessoa está doente mas o teste diz que não.

Se ele tiver razão eu proponho um teste ainda mais barato e econômico, além de ser estatisticamente tão eficiente quanto o atual. Batizei-o temporariamente de "Cara ou Coroa".

(Quem só queria uma piada curta pode parar de ler aqui. O restante do texto é só um gigantesco PS para mostrar como eu sou nerd e gosto de dar palpite em áreas que não são a minha.

PS: do tempo que eu estudava estatística desse tipo de teste, aprendi que existem 2 tipos de erros, "falso negativo" e "falso positivo", que seria a pessoa estar sadia mas ser classificada como doente pelo teste. Em geral é preciso escolher se o teste produzirá menos resultados errados de um tipo ou de outro.

Considerando um teste para uma pandemia viral, faz sentido priorizar a diminuição dos falsos positivos pois é muito pior sair dando remédio para a população sem muito critério do que deixar de detectar alguns casos, devido à possibilidade do vírus se tornar resistente. Em todo caso, 50% de erro já beira o non-sense)

sexta-feira, julho 17, 2009

Muitos

Segundo Georges Ifrah, os zulus e pigmeus africanos, os aranda e kamilarai da Austrália, os aborígenes das ilhas Murray e os nossos botocudos brasileiros conhecem apenas dois números: um para a unidade e outro para o par (ou seja, 1 e 2). Ainda segundo o mesmo autor, "...quando se trata de mais de 3 ou 4, alguns deles se contentam em mostrar a cabeleira, como se dissessem: 'É tão inumerável quanto os cabelos da cabeça'".

Fiz a citação pois há anos ("muitos" anos, haha) conto essa história mas nunca sei ao certo qual é o povo que faz isso. Percebe-se que o texto não deixa claro. Daqui para a frente, vou dizer que é coisa dos aranda da Austrália, por dois motivos: é um nome relativamente fácil de lembrar e um povo completamente desconhecido do grande público.

Apesar desse sistema de numeração parecer absurdo, algumas variantes dele são utilizadas mesmo em nossa sociedade pós-moderna.

http://jc.uol.com.br/canal/gripe-mundial/noticia/2009/07/17/oms-decide-parar-de-contar-casos-de-gripe-mundial-193691.php

Portanto, encerram-se oficialmente as extrapolações do número de contaminados. Peço desculpas, caros leitores.

Acho que vou ter que voltar ao antigo hobby, http://br.noticias.yahoo.com/s/14072009/40/politica-300-carros-sao-queimados-na.html

quinta-feira, junho 25, 2009

Nessa sexta-feira o Brasil passa dos 500 infectados, aposto com quem quiser.

E eu prometo que a partir de sábado eu arranjo um outro assunto.

Respondendo aos comentários

Se no Ministério da Saúde não houver NINGUÉM com um gráfico desse eu ficarei realmente preocupado.

Como disse o Arthur, o gráfico é do número total de infectados. Porém, acho que é possível pegar a doença mais de uma vez (Ju, estou certo?) e assim o número total de infecções poderia crescer sem parar.

Olhando uns dados preliminares do Chile, estou acreditando no momento que o crescimento por lá e na Argentina está muito mais para linear do que para qualquer outra coisa. Aqui na Terra Brasilis, no entanto, o dado de hoje do Ministério da Saúde ainda indica uma tendência exponencial.






Para o leitor que ainda não está convencido de quão rápido é um crescimento exponencial, digo que se o Brasil mantiver essa tendência atingirá 1 milhão de contaminados em 61 dias (26 de agosto, na previsão atualizado). Enquanto isso, Chile e Argentina teriam 1 milhão de casos (mantendo-se o crescimento linear) em 4100 e 15000 dias, respectivamente.

terça-feira, junho 23, 2009

Sigmóide

sig.mói.de
adj m+f (gr sigma+óide) Que tem a forma da letra grega sigma (S) ou da letra S.

Estava pensando hoje quão irrealista era o modelo proposto para o avanço da gripe suína no Brasil. Ora, é evidente que um crescimento exponencial não pode se sustentar por tempo indeterminado. No pior dos casos, haveria uma hora em que TODO mundo teria sido contaminado e o crescimento pararia (ou melhor, seria igual à taxa de crescimento da população).

A curva que parece mais natural para descrever isso é uma sigmóide, algo que parece um S apenas na cabeça de quem escreve dicionários. Ela aparece normalmente quando se está fazendo uma titulação, nesse caso o eixo x é a quantidade de base adicionada e o eixo y é o pH. No início pouca coisa acontece, você continua pingando aquelas gotinhas de base, de repente o negócio reage loucamente e depois você pode continuar pingando que nada mais vai acontecer. Para quem não teve o prazer de passar por isso num laboratório, segue gráfico ilustrativo:



Uma dúvida que eu também tinha era se o comportamento em outros países era parecido. Analisei os dados sobre a situação da Argentina até hoje, vejam só:



A correlação apresentada pelo Excel é excelente. Nos meus experimentos normais, nunca cheguei tão próximo de um R² = 1, mesmo acochambrando dados. No entanto, aproximar esses pontos por uma exponencial parece um pouco forçado. O ajuste seria visualmente melhor (mas na verdade nem é!) se olhassemos até o 20º dia apenas. Claramente, uma previsão baseada nesse crescimento maluco não é muito realista:



(os pontos continuam representando os casos reais. A curva contínua foi obtida ajustando-se os dados do 9º ao 20º dia).

Aparentemente a situação argentina está mais próxima de uma sigmóide, o crescimento mais acelerado já passou. No entanto, pode ser apenas uma oscilação aleatória dos dados e talvez a nossa bela exponencial continua fazendo estragos.

Quero acreditar que o meu post de ontem é algo parecido com essa última figura de hoje, ou seja, uma previsão extremamente pessimista e que em pouquíssimo tempo vai se mostrar bem errada. Vamos esperar mais uma semana ao menos para tirar mais alguma conclusão.

Em breve: uma análise da doença no Chile.

Não tão breve: a partir do estudo dos casos de Brasil, Argentina e Chile, é possível inferir como a doença evoluiu no Paraguai e Uruguai?

segunda-feira, junho 22, 2009

Diz a lenda que o conceito de reação em cadeia foi vislumbrado pelo físcio Leo Szilard enquanto ele esperava um semáforo abrir. A idéia era simples: um átomo instável era atacado por um nêutron e liberava, por exemplo, 3 nêutrons. Esses 3 nêutrons poderiam, com bastante sorte, encontrar outros 3 átomos instáveis, gerando assim 9 novos nêutrons, que atacariam outros átomos instáveis e assim por diante...

O conceito fundamental é que em determinadas condições a reação começa a se auto-sustentar, ou seja, ela se torna irrestivelmente mais forte conforme o tempo passa, liberando (peço desculpas antecipadas pelo termo extremamente técnico) energia para caralho.

O que é realmente interessante do preâmbulo é que o número de nêutrons liberados cresce em progressão geométrica, 1, 3, 9, 27, etc.(utopicamente, na vida real não é bem assim, grande parte deles acaba se perdendo). Esse tipo de crescimento é absurdamente rápido, já dizia Einstein que a força mais forte conhecida pela Humanidade são os juros compostos.

Nem só na Física aparecem essas seqüências. Numa rápida compilação do número de casos mais recentes da gripe suína no Brasil, obtemos o seguinte:



Os casos dos primeiros 20 dias (de 07/05 a 27/05) têm um crescimento praticamente linear, não registrado no gráfico. Nas últimas 3 semanas, porém, temos uma bela exponencial.

Não sei se esse comportamento auto-catalítico vai continuar por muito tempo. Se minhas previsões estiverem corretas, teremos 1 milhão de contaminados no dia 5 de setembro.

PS: antes que o leitor se desespere, dê uma olhada na última postagem sobre o Ronaldo (http://oweblog.blogspot.com/2008/12/ronaldo-o-retorno-final.html) em que as minhas técnicas avançadas indicavam que ele faria 10 jogos pelo Corinthians e marcaria 2 gols.

PS2: Gordo filho da puta.

terça-feira, abril 28, 2009

Da relatividade dos dramas

Paciente isolado em SP por precaução contra gripe suína teria dengue

Até pouquissimo tempo, um caso de dengue seria simplesmente motivo de vergonha, de atraso terceiro-mundista, de falha de saneamento básico, de despreparo dos órgãos de saúde pública, enfim, de qualquer coisa, MENOS de comemoração.

Pois é.

É isso aí, seu Aedes, continue com o bom trabalho.