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domingo, fevereiro 25, 2007

Mote: "Até quando teremos que comer pringles com coca de madrugada, como se isso fosse janta, como se isso fosse vida."

Ode à madrugada


Pringles na mesa
Coca no copo
E o cu na mão
Vida vadia, vida vadia


O relógio bate,
Não atrasa...
O tempo não passa
E o trabalho não se faz.


Pringles na mesa
Coca no copo
E o cu na mão
Vida vadia, vida vadia


O dia desperta
A fome aperta
E o trabalho à l’arrache
Ainda não começado


Pringles na mesa
Coca no copo
O cu que se foda
Mais uma partida, mais uma partida...


Auto-estima já perdi
Amor próprio,
Nunca tive.
E a consciência pesa...

... mentira

Tiago

(à l'arrache(fr): às pressas, sem cuidado)

segunda-feira, fevereiro 12, 2007

Bixos, bixos, muitos bixos

Os bixos dos meus bixos não param de chegar aqui na escola. Bem, na verdade pararam hoje, foi so' pra fazer uma piadinha infame...

Enfim, acho que a chegada deles é um evento tão alegre apenas porque o confinamento da escola gera algum tipo de psicose social...é claro que vocês no Brasil não conhecem dezenas de novas pessoas por dia, a diferença é que vocês têm a opção, mesmo que apenas teorica, de conversar com uma centena de conhecidos. Claro, ninguém liga para aquela tia gorda e chata em pleno sabado à tarde mas ela esta' la' e é isso que conta.

Os bixos são seres humanos normais, acredito. Também é claro que alguns deles acreditam que possuem poderes extra-humanos, mas sem duvida essa certeza vai se esvair dentro de poucos meses.

Talvez por falta de criativade dos roteiristas desse grande Big Brother ou talvez simplesmente por uma analise precipitada deste que vos escreve, os bixos tendem sempre a parecer uma combinação bizarra das gerações precedentes. "O cabelo de um 2002, o curso de um 2004 e as piadas sem graça de um 2005", num exemplo hipotético.

Os bixos são a esperança renascida, o desejo de que eles triunfarão la' onde nos tropeçamos, caimos, rolamos escada abaixo e viemos parar aqui...

Sou um cético em relação ao futuro. A atmosfera esta' esquentando, geleiras estão descongelando, meu cabelo esta' caindo...O futuro é certamente um lugar sombrio e desagradavel.

"E enquanto tarda o Abismo e o Silêncio..."

domingo, dezembro 10, 2006

Momento cultural

Se eu disser "Gonçalves Dias", o que vem à sua cabeça, estimado leitor? Aposto que as repostas se repartem entre "nada" e "Canção do Exilio". Faço então mais um teste, como morreu o citado poeta romântico?

Agora tenho certeza de que todas as respostas se concentram em "sabe Deus". Deus e a Wikipedia, eu diria. (Ta' bom, Juliana, eu sei que você sabe, ou ao menos sabia, porque eu me lembro vagamente de vc me contando isso. Pode ter sido delirio).

Pois bem, o maluco escreveu a Canção do Exilio no exilio (dããã...). So' que ele teve dois exilios, um, estudando em Coimbra, como toda a elite de sua geração, e outro se tratando de alguma doença bem séria nos ultimos dois anos de sua vida. O poema data da primeira fase, acho que na segunda ele ja' não tinha muitas esperanças de rever as palmeiras.

Ja' moribundo, enfiaram o coitado num navio com direção a seu Maranhão natal e perto da costa o navio afundou e acabaram deixando o doente para tras, em seu leito, e ele foi a unica vitima fatal.

Não deve nem ter dado para ver as palmeiras.

Tragico, não?

domingo, dezembro 03, 2006

Véspera de prova

Por um tempo eu cheguei a acreditar que um dia amadureceria e seria de fato adulto: estudaria as matérias com antecedência, pelo prazer do estudo e por saber que elas seriam fundamentais para meu desempenho profissional posterior.

Mesmo tendendo cada vez mais para a especialização, me aprofundando em assuntos realmente de ponta e interessantes, eu continuo deixando tudo para a ultima hora.

Como diria Manuel Bandeira, em outro contexto completamente diferente mas que se aplica aqui também, "Meu Deus, eu amo como as criancinhas..."

sábado, novembro 25, 2006

Pequeno pensamento sobre o passado

Ha' exatos dois anos eu fiz a prova oral para entrar aqui.

Fica a deixa para o caro leitor refletir o quanto mudou nos ultimos 730 dias, quantos sonhos realizou, quantos teve que enterrar...

Eu, infelizmente, não ando com tempo sobrando para fazer uma profunda analise sobre isso. Além do mais, existem dois anos de arquivos ao alcance de um clique para que novamente o querido leitor possa trabalhar um pouco e determinar o quanto eu mudei, quantos sonheis realizei e quantos tive que enterrar. Além das provas, meu computador esta' com um simpatico virus que faz com que ele reinicie a cada pouco. Assim sendo, deixo mais uma citação do Pessoa que retrata bem o momento:


Cada um cumpre o destino que lhe cumpre,
E deseja o destino que deseja;
Nem cumpre o que deseja,
Nem deseja o que cumpre.

Como as pedras na orla dos canteiros
O Fado nos dispõe, e ali ficamos;
Que a Sorte nos fez postos
Onde houvemos de sê-lo.

Não tenhamos melhor conhecimento
Do que nos coube que de que nos coube.
Cumpramos o que somos.
Nada mais nos é dado.

(Ricardo Reis)

domingo, novembro 19, 2006

Misture bem...

Intercalando a leitura das ultimas aulas de organometalicos com um livrinho de sonetos e redondilhas do Camões, me veio a subita revelação:

Seria o "fogo que arde sem se ver" simplesmente metanol?

Ta', eu preciso de férias de novo.

terça-feira, novembro 14, 2006

"O que levamos desta vida inútil
Tanto vale se é
A glória, a fama, o amor, a ciência, a vida,
Como se fosse apenas
A memória de um jogo bem jogado
E uma partida ganha
A um jogador melhor. " (Ricardo Reis)

Provavelmente a grande graça do esporte e que motiva tantos bilhões de pessoas a interromperem suas atividades para ver uma bolinha indo de um lado para o outro (sob diversas versões, batendo nela com os pés, com as mãos, com raquetes, tentando acertar alvos no fundo ou no meio do campo, individualmente ou numa equipe, etc.) é a eterna possibilidade de recomeço. Sempre existe a próxima rodada, o próximo turno, o campeonato seguinte. É a esperança que renasce a cada semana sem grandes esforços.

É essa esperança renovada que nos permite acordar numa segunda-feira fria e pensar, "tudo bem, estou 6 pontos atrás do XV de Piracicaba, faltam 3 rodadas. Tudo vai dar certo e nós vamos subir para a série B3. Mas se não der, ano que vem tentamos de novo".

Com esse espírito, fizemos um coletivo na última segunda. Eu como goleiro da equipe 5, tendo como adversários os poderosos da equipe 1. Sim, um treino um tanto quanto desequilibrado, o melhor time contra o pior. E, num desses milagres que só o esporte proporciona, nós vencemos.

Há que se dizer que eles estavam usando um tipo suicida de defesa, algo irreal. É a velha máxima popular sobre treino e jogo, sem dúvida. Mas eu acho que o nosso sucesso veio dos clichês. Senão vejamos:

Nós estavamos de colete azul e eles de vermelho. Eles são mais altos, mais fortes e falam russo! (Sério, tem dois caras no time deles que fizeram estágio em São Petesburgo). O meu time é composto de gordinhos, nerds, tortos, caras de óculos (estou de fato falando do time inteiro, não só de mim). Jogadores desacreditados pelo técnico salvaram suas imagens, goleiro defendeu um pênalti, tudo de acordo com o script.

Foi uma vitória hollywoddiana, admito. Mas foi tão bom...