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terça-feira, maio 18, 2010

Adoleta, a revelação final

Um dos posts de maior sucesso da história do O(we)blog é http://oweblog.blogspot.com/2008/03/adoleta.html, em que eu indago sobre a origem da famosa Adoleta.

A sugestão originalmente dada pelo Milouse e depois retomada por leitores desconhecidos é que Adoleta é uma deturpação de "un, deux, trois", ou seja, "um, dois, três". Me parece provável, poderia ser uma espécie de "um dois, feijão com arroz" mas envolvendo café (às vezes "nescafé", em algumas versões) com chocolá.

O que me ocorreu hoje vendo a propaganda do novo Uno é que o também clássico "Uni Duni Tê" também é claramente uma música infantil iniciada a partir de "um, dois, três". O tema de alimentação doentia também é retomado ao se falar do "sorvete colorê" ou do "salamê minguê". Esses adjetivos terminados em ê provavelmente vieram de algum particípio passado francês.

Enquanto a Adoleta pode ser vista como um conjunto de estrofes baseado em "á" (le petit polá, le café au chocolat, etc), Uni Duni Tê é a seqüência lógica com rimas em "ê". Isso nos leva a supor que existam outras três estrofes perdidas, usando as outras vogais. Para corroborar essa ligação, o final das duas canções é indicar algum escolhido para qualquer coisa.

Não vou me dar ao trabalho de fazer uma escansão das musiquinhas e contar quantas sílabas cada um deles têm. Tudo indica que a menos de erros de traduções ambas deveriam ter a mesma quantidade, de modo que o escolhido fosse sempre o mesmo ("vo-cê!"), fosse qual fosse a canção entoada.

Diversos blogs abordaram essa questão anteriormente (Virunduns, 2003; BlogTok, 2009; entre outras referências em papers que não consegui baixar do meu laboratório) porém não encontrei ninguém que ousasse traçar esse paralelo entre as duas músicas.

Acreditem vocês ou não, depois de escrever esse post acabei descobrindo que a referência pseudo-científica do parágrafo anterior pode ser verídica: vejam Vorcaro, 2002 (http://www.proceedings.scielo.br/scielo.php?pid=MSC0000000032001000300004&script=sci_arttext), por exemplo:

"Nas perlongas, o palavreado é de rimas infantis de cinco ou seis sílabas que servem para divertir, memorizar ou designar o responsável por uma função. Perlonga é também uma demora capciosa, uma delonga. Trata-se de dilatar, adiar, mover-se paralelamente, ir em sentido paralelo, ao longo de alguma coisa.

Exemplo disso é:

uni, du, ni, tê,
salamê, minguê,
um sorvete colorê,
o escolhido foi você!

Desprovidas de sentido, essas lenga-lengas o constituem pela repetição prosódica, que se organiza em relação a algo já experimentado no corpo, como nos lembram Bergès e Balbo."

Em resumo:

1 - Sim, as duas músicas são irmãs

2 - Não, elas não têm sentido.

3 - Sim, com certeza qualquer um de nós poderia defender um doutorado em qualquer área de humanas. Até você, Tiago.

segunda-feira, maio 10, 2010

Para quem gosta de futebol bizarro, piadas sobre copas, sotaques estranhos e tudo mais, vejam isso:



O da Austrália é genial no final. Perdi uns 20% das piadas mas ainda assim vale a pena.

domingo, janeiro 28, 2007

"Porque até os gênios se enganam 2 - O Retorno"

Descobri hoje que sempre escrevi errado duas palavras razoavelmente comuns da nossa lingua pátria.

Acreditava que uma comida sem sal era insonsa. Não, o segundo "n" não existe, é um outro "s". Pior, para mim uma coisa desnecessária era "supérfula". Também não, "supérfluo" me corrigirá prontamente o leitor "cultivado".

Não posso colocar a culpa no francês nem na vida de reduzida leitura em português que me vi obrigado a levar nos ultimos anos. Simplesmente foi uma falha que ficou escondida esse tempo todo. Preocupante.

Admito que mais deprimente que ser obrigado a rever suas bases de ortografia aos 21 anos é apenas relatar essa historieta com fins não muito claros.

domingo, dezembro 10, 2006

Momento cultural

Se eu disser "Gonçalves Dias", o que vem à sua cabeça, estimado leitor? Aposto que as repostas se repartem entre "nada" e "Canção do Exilio". Faço então mais um teste, como morreu o citado poeta romântico?

Agora tenho certeza de que todas as respostas se concentram em "sabe Deus". Deus e a Wikipedia, eu diria. (Ta' bom, Juliana, eu sei que você sabe, ou ao menos sabia, porque eu me lembro vagamente de vc me contando isso. Pode ter sido delirio).

Pois bem, o maluco escreveu a Canção do Exilio no exilio (dããã...). So' que ele teve dois exilios, um, estudando em Coimbra, como toda a elite de sua geração, e outro se tratando de alguma doença bem séria nos ultimos dois anos de sua vida. O poema data da primeira fase, acho que na segunda ele ja' não tinha muitas esperanças de rever as palmeiras.

Ja' moribundo, enfiaram o coitado num navio com direção a seu Maranhão natal e perto da costa o navio afundou e acabaram deixando o doente para tras, em seu leito, e ele foi a unica vitima fatal.

Não deve nem ter dado para ver as palmeiras.

Tragico, não?