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segunda-feira, abril 16, 2012

A Globo inventou uma atração genial: milhares de pessoas de cidades aleatórias ensaiam uma coreografia de gosto duvidoso para disputar R$100.000, a serem investidos numa obra de educação, saúde ou algo do tipo.


A cidade vencedora do último domingo, Aracati, colocou 1350 pessoas para dançar. Segundo o programa (eu não vi, mas me contaram), essas pessoas ensaiaram de segunda à sexta, das 16h às 22h.

Façamos uma conta de criança de 3 anos: cada pessoa se dedicou por pelo menos 30 horas nos ensaios, totalizando 40.500 homens-hora (em tempo: o Houaiss aponta "homens-horas" como a forma culta desse plural. Vivendo e aprendendo).

Nosso salário mínimo atual é de R$2,83 por hora. Se essa galera toda tivesse se dedicado a uma atividade com esse nível mínimo de renda, já seriam mais de R$114.000. Notem que estou sendo simpático e desconsiderando os custos com a produção, equipamentos e equipe de treinamento. Também desprezei o tempo gasto na gravação.

Em suma: se te oferecessem um jogo em que a opção A te dá 114 dinheiros com certeza e a opção B pode te dar 100 ou 25 dinheiros (sabe-se lá com quais probabilidades), o que você escolheria? Pelo menos 1350 pessoas responderam B...

domingo, março 04, 2007

Farsa

Enganar as pessoas é muito mais facil do que o cidadão médio prefere acreditar. Sim, é plenamente possivel manter mentiras com graves consequencias por um tempo relativamente longo. Senão vejamos:

Eu nunca tinha feito um curso de espanhol antes de vir para a França. Precisando escolher uma lingua estrangeira, não hesitei muito em pegar a do Cervantes. Claro que num louco universo paralelo eu tive culhão de escolher russo para depois fazer meu estagio na Sibéria. Morri aos 21 anos tomando vodka contaminada com metanol e urânio-238, não necessariamente nessa mesma ordem.

Me inscrevi no nivel médio, mentindo para mim mesmo que estudaria sozinho as partes mais fundamentais da gramatica castelhana e que me dedicaria a esse idioma. Como a mentira de que eu falava espanhol sempre foi suficiente, não valia a pena.

Tal como El Cid, que venceu os mouros depois de morto, amarrado em seu cavalo, tudo se passou bem até o momento. Saio daqui com dois anos de curso de espanhol, uma bela justificativa para o "nivel médio em espanhol" que meu CV vai passar a exibir dentro de alguns meses.

Melhor do que uma verdade dita com hesitação é uma mentira firme, capaz de enganar até a si proprio.

terça-feira, fevereiro 20, 2007

Un essai à Vienne

A vida as vezes se torna uma tentativa deseperada de preencher inumeraveis folhas em branco com alguma historia interessante. Completar as paginas passa a ser mais importante do que a propria historia, e isso nao é de todo ruim.

Li uma vez que algum povo do Oriente tinha como grande momento de prazer coletivo um ritual em que os elementos da tribo com um elo efetivo suficientemente forte se sentavam em uma roda e ficavam lá, "sem fazer nada" como nós gostamos de dizer. Longe da preocupacao de ocupar o vazio com suas histórias ainda mais vazias, eles aproveitavam plenamente essa rara ocasiao de gastar um tempo com pessoas queridas.

Somos treinados desde crianca de que "silencios constrangedores" devem ser evitados a todo custo. Falemos do tempo, falemos do Curíntia, o importante é falar. Eu nao me considero especialmente prolixo, mas admito mais esse pecado: sim, meu Pai, eu falo para encobrir espacos vazios.

No fundo, é isso que distingue uma pessoa interessante de um chato, sua capacidade de contar fatos nao triviais de maneira satisfatória. O chato fica tentando por um tempo excessivamente longo, tateando suas memórias em bucsca de algo que possa interessar minimamente ao interlocutor...Enquanto isso, nós, as pessoas maldosas (sim, leitor com carinha de santo, voce também torce pro vilao e pro cachorro morder o ciclista às vezes, tenho certeza) forcamos uma cara de tédio ainda maior para ver se o chato se toca.

O problema é que o chato ve que n~ao (droga, quando encontro o ~ no teclado descubro que ele n~ao funciona. Quem sabe em cima do n: ~n. Pois é, também n~ao, dommage...), como eu dizia, o chato ve que nao funciona e se esforca ainda mais para falar algo simpatico. Como as historias das pessoas sao como tropas militares (existem as de elite, que convencem ou fazem rir a qualquer publico e existem tambem os soldados rasos, aquelas que ou sao compreensiveis apenas por uma minoria de pessoas ou que sao tao ruins que fariam sua bisavó corar de constrangimento), e se nem o "cheval de bataille" nao deu jeito entao nao vai ser aquele dois de paus que vai mudar algo (a nao ser que seja truco, claro).

A questao do "til" no teclado alemao está me consumindo. Será que eu preciso configurar para portugues para poder usá-lo? Mas por outro lado em alemao nao existem acentos e o "´" tá funcionando normalmente. Será que é pra colocar em cima do ß? Ou do ö? E principalmente, por que no teclado frances E no alemao existe um botao com um µ, meu pai do céu?

(Resultado do teste: aprovado. COnsegui gastar os 50 centavos que coloquei no computador do albergue escrevendo besteira. A máquina nao dá troco, tive que fazer um belo esforco para nao perder dinheiro, hahahha).

quinta-feira, fevereiro 15, 2007

Petit bilan

-733 dias desde que eu cheguei na França pela primeira vez.

-4 situações em que eu temi realmente pela minha vida.

-Uma copa do mundo.

-79 aniversários. 79 vezes com parabéns cantado em português, 71 em espanhol, 37 em francês, 2 em sueco.

-17 provas de verdade. Um A, um D, 7 B e o resto C. Pas mal mas também nada brilhante.

-8 países visitados (11 no final da semana que vem), dois mares, um Reno, um Sena, um Tâmisa, um Tibre e futuramente um Danúbio também.

-Três idas à lousa. Um trauma adquirido.

-28 partidas oficiais de handball. 25 derrotas, uma vitória por WO, duas vitórias em que o adversário tinha um jogador a menos.

-3 sonhos enterrados.

-Uma lingua quase aprendida, três esquecidas.

-3 cerimônias militares em que precisei marchar. Nenhum acidente grave com a espada.

-Uma boa dezena de gols marcados (com os pés!)

-27 amigos brasileiros que esqueceram de mim.

-4 experiências como barman. Uma como pedreiro. N como goleiro e muitas outras como imbecil. Será que a construção civil tá pagando bem no Brasil?

-13 meses desligando o computador apenas durante viagens (e olhe lá).

-517 piadas sem graça no blog. 425 posts que ficaram sem comentários apesar da genialidade inerente. 3 histórias que viraram lendas urbanas.

-13 exposés mal feitos e preparados no último minuto. Obrigado Wikipedia.

Uma quase perpétua tentativa de encontrar finais otimistas...