sábado, outubro 20, 2007

Competições

Ao longo desses 20 e não sei quantos anos, participei de um grande número de disputas das categorias mais variadas. Estive em campeonatos de xadrez, de futebol (salão, areia, virtual e até uma variante francesa sem goleiro mas com as traves da quadra de salão mesmo!), handball, basquete, vôlei (de quadra e de areia), ping-pong, olimpíadas de física, matemática e computação, programas de perguntas e respostas sobre conhecimentos gerais, bolões de Copa do Mundo, etc.

De todas essas ocasiões consegui apenas 2 vitórias que, numa análise fria, não dependeram praticamente em nada do meu desempenho.

Talvez eu tenha mais derrotas que uma pessoa média. Talvez ganhar seja melhor. Talvez eu devesse simplesmente ficar quieto.

PS: ontem estreamos com vitória no campeonato da Engenharia Química...

sexta-feira, outubro 19, 2007

Mau uso da técnica

Segundo o matemático Tristão Garcia (http://www.infobola.com.br/brasileiro/2007/chanceslib.aspx), o Vasco da Gama possui na data de hoje 1% de chance de se classificar para a Libertadores e 3% de ser rebaixado.

Como se sabe, a probabilidade de que ele seja rebaixado E se classifique para a Libertadores é:

P (Lib E Reb) = P(Lib) x P(Reb) = 0,01*0,03 = 0,03%.

Nota 1: Os 4 primeiros colocados do Campeonato Brasileiro vão para a Libertadores.
Nota 2: Os 4 últimos colocados são rebaixados.
Nota 3: Atualmente o Brasileirão é disputado por 20 equipes.
Nota 4: Não acredite na primeira bobagem matemática que aparecer na sua frente.

quinta-feira, outubro 18, 2007

Respondendo ao anterior

Se um cara que acha que o gato dele está vivo e morto me dissesse pessoalmente que eu estou chapado, a vida seria bem mais interessante.

segunda-feira, outubro 15, 2007

Apenas para deixar registrado

Ainda acredito que a vida é uma evolução determinística de fenômenos bizarros e complexos. Toda a verdade futura já está contida nas primeiras oscilações, o que falta é um meio correto e preciso de extrapolar o resultado para os instantes futuros.

domingo, outubro 14, 2007

Planos...

No dia em que nada mais der certo, eu já tenho um plano do que fazer: uma análise estatística profunda sobre alguns fatos do futebol, especialmente em áreas que ainda não foram muito bem trabalhadas. Ok, já há algumas dezenas de matemáticos que fazem suas previsões de quais chances do time A ser campeão, não há nenhuma razão para eu tentar roubar o negócio deles.

Minha estratégia seria avaliar a veracidade de algumas verdades tácitas do futebol. "Quem não faz, leva". Sério mesmo? Em que porcentagem dos casos? E como isso acontece? Ou "2 a 0 é um placar perigoso, o adversário faz um gol, se empolga e consegue o empate". Mais empates acontecem quando a vantagem é de 1 ou 2 gols? E depois do empate obtido, alguém consegue marcar outro e vencer?

No fundo, o primeiro grande estudo seria sobre uma verdade que parece incontestável para mim mas que não encontra tanto eco no resto do mundo...Aconteceu no jogo do São Paulo neste final de semana, entrou um menino desconhecido no gol e ele pegou um pênalti.

"Goleiros reservas têm uma porcentagem de defesa de pênaltis superior aos titulares". Sem dúvida, basta alguém ter o tempo e o banco de dados para comprovar isso. Bom, fica aqui a sugestão para algum desocupado pesquisar ou para algum aluno de mestrado em estatística com carência de idéias para a tese...

PS: blogs são como velhos amigos, mesmo ficando muito tempo distante a melhor coisa a fazer num reencontro é se comportar como se toda noite vocês jantassem juntos e discutissem os assuntos banais do dia.

terça-feira, setembro 25, 2007

Conclusão 2

Não era assim...tenho certeza...

quinta-feira, setembro 20, 2007

Conclusão

Se escrever um post não tem sido fácil nos últimos dias, o que vocês me dizem de um paper?

sexta-feira, setembro 14, 2007

"Você é um desses infelizes, carentes, que nunca teve um amor na vida? Bom, compre um sapato dois números menor do que seu pé e ande com ele o dia inteiro. Chegando em casa, tarde da noite, deite-se na cama, tire toda a roupa, por último os sapatos, estique todo o corpo e abra bem os dedos dos pés. Não conheço nada mais parecido com um grande amor"
(Millôr)

De onde se concluiu que o dentista do Millôr nunca deixou por engano algum presentinho na boca dele para fazer companhia por alguns dias...

domingo, setembro 02, 2007

Uma idéia

Talvez a coisa mais difícil de ser encontrada, ainda pior do que césio-137, é uma grande idéia. Se for uma idéia que possa ser revertida em lucro, então é mais provável encontrar plutônio perdido por aí.

Aconteceu uma vez comigo. Eu estava almoçando em uma esquina de Bruxelas quando ela apareceu: "Cara, a gente podia abrir um restaurante de kebab em São Paulo!".

O engenheiro que me acompanhva na jornada sentiu que era de fato um coup de génie. Milhares de estudantes paulistanos que visitaram a Europa com pouca verba e se maravilharam com aquele sabor especial do cordeiro assado no espeto, acompanhado por alguma espécie de "pão sírio", alguma meleca do tipo maionese mas vagamente oriental, tudo isso guarnecido por batatas fritas...

O público-alvo era grande, compreendia também os pseudo-intelectuais que abraçariam qualquer fast-food "europeu" em oposição ao imperialismo yankee e a todas aquelas coisas que eles gostam de criticar. Com um pouco de propaganda boca-a-boca, um sábio turco para nos auxiliar no preparo e um fornecedor adequado de carne, o sucesso parecia extremamente próximo.

Nosso combinado é que se nada mais desse certo (acho que seria mais adequado dizer "quando" e não "se"), abriríamos a franquia, talvez no centro velho de São Paulo, talvez na região da Paulista. Chegamos até a inventar um nome e um slogan, ambos perdidos no tempo, infelizmente. Tenho testemunhas disso tudo, inclusive um outro politécnico que se dispôs a ajudar.

Lendo a Vejinha hoje à tarde descubro que os kebabs estão virando moda em São Paulo. As primeiras lojas foram abertas em dezembro de 2005, dois meses antes da minha idéia, é verdade. Há restaurantes tanto na Augusta quanto perto do metrô São Bento...

Já que nada mais pode ser feito, fica apenas a intenção de conferir se esses usurpadores estão fazendo tudo direitinho.

quarta-feira, agosto 29, 2007

"Bem amigos da Rede Globo, falamos diretamente de Johanesburgo onde dentro de instantes ocorrerá a decisão da 17ª Copa do Mundo de Tunelamento.

As regras todos nós, fãs desse emocionante esporte, conhecemos bem. Em todo caso, vamos explicá-las novamente para ajudar a popularizar essa incrível competição: cada atleta deve lançar uma bolinha de ping-pong em direção àquela grande e finíssima chapa de ouro. Eles têm 3 tentativas para fazer com que ela atravessa o anteparo. Sim, atravesse "POR DENTRO" da placa, utilizando apenas aspectos obscuros da Mecânica Quântica.

O recorde mundial pertence ainda ao saudoso Ivan Paulotinovic que há 12 anos conseguiu furar a placa. Logo após os comerciais a competição deve ter início, quem sabe esse ano não vemos um participante finalmente conseguir a pontuação máxima?"

Não existe, até onde eu sei, nenhum exemplo de disputa estúpida como a desse exemplo delirante. Somos, afinal, uma espécie racional, não perdemos nosso tempo desejando que eventos altamente improváveis aconteçam. Sabemos que não podemos condicionar nossa felicidade a eventos fortuitos e de periodicidade infinita...

E talvez exatamente por isso tenhamos perdido a alegria de viver.

segunda-feira, agosto 27, 2007

Pré-olímpico de basquete

"O Brasil só depende de "se" para conseguir a vaga para a Olimpíada"

domingo, agosto 26, 2007

Como escrever uma boa manchete para uma notícia completamente irrelevante, capítulo 1:

Atriz colombiana Catalina Sandino Moreno troca drogas por nudez

sábado, agosto 18, 2007

Algumas palavras valem mais que mil imagens

Às vezes me sinto obrigado a discordar da "sabedoria popular". A minha implicância de hoje vai para o ditado a que o meu título faz alusão. Sim, imagens são importantes e marcantes, mas existem casos em que as palavras são tão bem escolhidas que se tornam imbatíveis.

Tome-se como exemplo a chegada do Homem à Lua. Aquelas imagens dos norte-americanos pulando na superfície lunar são interessantes, admito, porém não se comparam ao "small step for a man".

Voltando ainda mais no tempo, pensemos no Absolutismo francês. O que é melhor, aquela foto do Luís XIV com todas suas plumas e seu jeito de bichona ou "L'état, c'est moi"? Mesmo o "Diga ao povo que fico" de nosso imperador é superior a todo o resto das coisas ligadas à ele.

Hoje creio que uma nova citação deve ser incluída nesse panteão, "Prefiro a puta da sua irmã" (Marco Materazzi). Com essa genial pérola, o brucutu italiano venceu o gênio francês, ganhou a Copa, tornou-se herói e, como se nada disso fosse o suficiente, pode humilhar escritores pelo mundo afora: ele cunhou uma frase perfeita.

A eterna reflexão

Recebi hoje um email de um bixo que quer entrar na Polytechnique. O cidadão encontrou este glorioso espaço laranja e dele tirou o meu contato. Isso pode ser bom ou pode ser ruim para a vida dele, mas aí já não está mais na minha alçada.

O fato é que apenas hoje me dei conta de que em breve fará 3 anos das minhas provas de admissão. Ao leitor que não estava informado na época ou que já esqueceu, relembro que tive de escolher qual programa de intercâmbio tentar e arriscar todas as fichas nele. Escolhi, é claro, o da tradicional e poderosa (sic) escola em Paris (sic), com sua matemática interessante (sic), sua diversão constante através do esporte (sic), entre tantas outras quase-verdades.

Fui um dos piores colocados no exame, mas felizmente dentro do limite dos aprovados. A margem foi tão estreita que é impossível ficar conjecturando o que poderia ter sido e não foi. Teria eu arriscado a sorte num intercâmbio com a Itália no ano seguinte, assistido todos os jogos da Juve em Turim pela segunda divisão e me virado com uma bolsa parcial?

Teria explodido alguma indústria química, causando a morte de algumas centenas de operários incluindo este pobre reles e desastrado escriba?

O caminho mais normal talvez fosse simplesmente terminar a Poli no tempo previsto, sendo que o encerramento seria...hoje! (ontem, na verdade, mas uma mentirinha a mais não vai mudar tanta coisa assim). Enfim, ontem eu teria me tornado engenheiro, ainda não oficialmente mas ao menos no sentido prático.

O computador em que eu escreveria esta mensagem não seria este, nem estaria o menu do Blogger em francês. Não haveria um par de lentes de contato à minha frente, meu cartão de banco não existiria, ao menos 40% da minha estante seria diferente. Cazzo, até a camiseta que eu estou usando agora não estaria por aqui.

Às vezes não parece mas nossa vida é sim o resultado de nossas escolhas, nossos erros e acertos. E, claro, de la chance.

quarta-feira, agosto 15, 2007

O grande público

A propaganda de uma companhia telefônica diz que seu serviço "encurta as distâncias" entre as pessoas e para ilustrar isso aparecem os continentes derivando em direção à antiga Pangea.

É preciso dizer que mesmo se só houvesse um continente a distância entre, digamos, Santiago e Novosibirski continuaria monstruosa. O curioso é que o propagandista que concebeu a campanha partiu da velha idéia do Wegener da deriva continental, idéia essa considerada delirante e herética na época mas que hoje em dia se tornou assunto de geografia para crianças.

Esse padrão se repete em muitas outras áreas, algum sábio do século XVIII disse que as leis de Newton estavam no limiar da capacidade humana de compreensão. Tudo isso nos leva a crer que daqui a 40 anos poderemos ver a propaganda da Telefonica em que dois alienigenas ficam tremendamente felizes com a súbita aparição de um buraco de minhoca conectando seus distantes planetas...

segunda-feira, agosto 06, 2007

Terrinas

"Chovia em Paris, e não tínhamos guarda-chuva. Saímos do hotel nos esgueirando (Esgueirar-se: a arte de andar entre pingos de chuva ou sob marquises. Sua principal característica é que nunca dá certo.) Decidimos entrar no primeiro restaurante que aparecesse.

Chamava-se Oeuf à la Poche, numa clara referência ao seu tamanho. Estava vazio. Sentamo-nos, depois de sacudir a água na entrada, com aquele falso ar de habitués que deve nos acompanhar em qualquer lugar absolutamente estranho. Um cachorro veio nos examinar em silêncio e, satisfeito ou desapontado, voltou para o seu lugar perto do balcão. De trás do qual saiu um cabeludo com duas terrinas que colocou sobre a nossa mesa, silencioso como o seu cachorro. Uma terrina continha um patê pela metade. A outra era indecifrável. Dali a pouco, o cabeludo voltou com mais duas terrinas. Depois, mais duas. E mais duas!

Conseguimos identificar champignons, salames, rillettes e pouca coisa mais. Quando trouxe o pão, o cabeludo perguntou se queríamos vinho. Suspirei aliviado. Ele não nos odiava! Pedi um tinto. E como não aparecesse ninguém com um cardápio e eu é que não ia pedir explicações sobre que tipo de restaurante era aquele, afinal, atacamos as terrinas e o pão como quem não espera outra coisa.

Só de baguette foi um quilômetro, e não ficou terrina sobre terrina. Estávamos nos congratulando pela descoberta acidental do restaurante e tentando nos lembrar de quando tínhamos comido tanto e tão bem quando surgiu uma moça, um pouco menos feminina do que o cabeludo, e perguntou que prato quente iríamos querer, depois da entrada. TInham boeuf bourguignon, tinham...Pedimos cada um um prato quente, de pura timidez.

Estou recontando esta história sem qualquer proveito social que a redima por que mesmo? Talvez só para dizer que anos depois procuramos o "Oeuf à laPoche" e não o encontramos mais. Suas terrinas muito generosas ou, quem sabe, a melancolia do cachorro tinham derrotado a proposta. Ou talvez seja uma história inspiradora: não confunda os aperitivos que o destino lhe serve com a vida, cedo ou tarde aparecerá o prato quente. Sei lá.

E a chuva em Paris? Não parou. Choveu todos os dias, até que resolvemos tomar uma providência. Compramos guarda-chuva. Aí ela parou."

(Luis Fernando Verissimo)