'A maioria dos estudantes pensa que antes de fazer pesquisa é preciso dominar tudo que já foi realizado. Para contrabalançar esse conceito e estimular um interesse adiantado pelo trabalho independente, Jacobi contava a parábola: "Seu pai nunca teria se casado, e você nunca teria nascido, se ele insistisse em conhecer todas as garotas do mundo antes de se casar com uma."'
(Introdução à história da matemática, Howard Eves)
sábado, dezembro 01, 2007
sexta-feira, novembro 30, 2007
Por circunstâncias que estão além do escopo deste blog, entrei no ônibus hoje à tarde segurando um imenso e ridículo rolo de papel de presente da Hello Kitty. Passei da catraca e me posicionei estrategicamente perto de um cara com jeito de maluco que conversava com uma moça visivelmente pouco interessada no assunto.
O cidadão dizia ser descendente do Eusébio Matoso (o da avenida perto do Eldorado), e segundo ele o Eusébio Matoso é o mesmo da Lei Eusébio de Queirós. Segundo a wikipedia, o da lei também se chamava Matoso mas acho que o nome da rua vem do outro mesmo. Enfim, o cara era só meio maluco.
A moça se levantou e foi embora. Fiquei com alguma vontade de perguntar mais para o cara mas ia soar Forrest Gump demais para ser verdade. Como coisas estranhas acontecem comigo no transporte público, ele puxou conversa.
Logo de cara ele perguntou se eu era matemático, disse que eu não tinha cara de quem faz história. Merda, eu sabia que eu não devia ter feito a barba. Mostrou-me o livro que estava lendo ("Einstein e a religião") e perguntou se eu era "um deles". Deles quem? Gênios da física teórica? Ateus bizarros? Caras com cabelo engraçado? Respondi que não, por segurança. Ele explicou-se melhor e disse que eu tinha jeito de judeu, então de fato eu não sou um deles.
Perguntou em seguida se eu também estava recebendo o canudo hoje, pois era o último dia de aula da moça. Respondi que curiosamente sim, mas não da Usp e sim da Polytechnique (meu certificado de lá chegou essa semana pelo correio, eu tinha acabado de retirá-lo). Ele não só conhecia ("a escola do Poincaré, não? Então você deve ser inteligente, meus parabéns") como também começou a falar em francês comigo. Bizarro.
Tive que descer no ponto seguinte, precisava resolver umas coisas do meu futuro acadêmico. O cidadão seguiu no ônibus e a vida retorna ao normal.
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Bruno
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quarta-feira, novembro 28, 2007
Meio revolucionário
Já repararam que as traduções da palavra "meio" começam com "m" em todas as línguas da Europa Ocidental? Mesmo para alguns países escandinavos isso é verdade, como se vê aqui.
A minha tese é que isso ocorre porque a letra m já ficava no meio do alfabeto latino, dividindo-o obviamente em duas Metades. Esperava conseguir alguma explicação extra procurando a tradução em grego mas ela não foi muito esclarecedora ("mesaia", na transcrição literal em nosso alfabeto). O padrão parece ser o mesmo em grego, afinal o µ também fica no µeio.
Porém, em russo (portanto com o alfabeto cirílico) já não há nenhuma relação.
Enfim, eu achei isso tudo meio legal...
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Bruno
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8:26 PM
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sexta-feira, novembro 23, 2007
Surpreendente
Numa recente operação da Polícia Federal (acho que relacionado ao Law Kin Chong), os canais de TV mostraram os agentes da Polícia apreendendo computadores que teriam sido utilizados pela rede criminosa.
A parte surpreendente é que os policiais apareciam carregando os MONITORES em direção às viaturas...Prefiro acreditar que seja apenas burrice e que elas achavam que os respectivos monitores seriam fundamentais para análise das informações gravadas nos computadores...
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11:29 PM
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terça-feira, novembro 20, 2007
Perdida
Admito que não tenho um coração dos mais bondosos. Além disso, confesso também que meu senso de direção não é dos melhores. Por causa do primeiro fato e apesar do segundo, digo que achei graça no desaparecimento de uma baleia no meio do Pará.
Para quem não está a par da notícia, http://bichos.uol.com.br/ultnot/agencia/ult4595u41.jhtm. Em termos gerais, a bichinha de 5 metros errou uma curva lá na altura da ilha do Marajó, entrou à esquerda onde não devia e percorreu 800 km rio acima. Ferida, não resistiu e foi encontrada morta neste feriado.
Cá entre nós, leitores maldosos, será que é tão difícil assim diferenciar um rio do mar? Pelo bem da natureza, não me foi dada a oportunidade de passar minha existência nadando pelos mares, assim não tenho como afirmar com certeza que tal tarefa é realmente fácil. Em todo caso, insisto que a pobrezinha deveria ter percebido que o mar estava meio estreito e raso, ou que ela se desse conta de que nadar OITOCENTOS QUILÔMETROS na mesma direção não era exatamente uma boa idéia.
Requiescat in pace, carus cetaceum...
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quinta-feira, novembro 15, 2007
Sinal dos tempos
Triste tempos em que ao acordar se abre o Windows antes da janela do quarto...
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12:52 PM
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quarta-feira, novembro 14, 2007
Acontece com os outros
http://esporte.uol.com.br/futebol/ultimas/2007/11/15/ult59u136976.jhtm
Último parágrafo...
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11:53 PM
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terça-feira, novembro 13, 2007
Tudo bem
"Sim, doutor, eu sou uma pessoa saudável. Eu durmo 8 horas...
...
a cada duas noites."
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12:08 AM
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segunda-feira, novembro 12, 2007
A diferença entre as grandes e as pequenas dores é que destas esquecemo-nos ao acordar enquanto daquelas lembramos mesmo dormindo...
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12:22 AM
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sábado, novembro 10, 2007
Bater em bêbado
Se a = b e b = c, então...
A conclusão óbvia (a = c) é chamada transitividade. Ela se aplica também para outras relações, por exemplo se tivéssemos a>b e b>c haveria uma conclusão do mesmo estilo.
Felizmente ela não é válida no futebol, como empiricamente se demonstra a cada semana. Se o time A ganha do B e o B ganha do C, tudo que se pode esperar do confronto entre A e C é que um deles ganhe ou que a partida empate.
Tudo isso para dizer que no jogo teoricamente mais fácil do campeonato da engenharia química, contra uma equipe que só estava lá para fazer figuração, tomar cerveja e perder de todo mundo, nós não conseguimos ganhar.
Nem batemos no bêbabo nem apanhamos dele. Um empate com sabor de derrota com direito a desespero do goleiro indo para a área no último lance, em vão. A ganhando de B ou não, a vida segue...
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7:00 PM
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quinta-feira, novembro 08, 2007
Marketingue
Soltaram mais um daqueles rankings non-sense que comparam maçãs, uvas, universidades inglesas e a USP...http://www.topmba.com/fileadmin/pdfs/2007_Top_200_Compact.pdf
Apenas para constar, a nossa gloriosa e internacionalmente conhecida na França Ecole Polytechnique subiu umas posições e está em 28º do mundo. Claro que o ranking é inútil e não faz sentido, mas como a freqüência de polytechniciens por aqui está grande achei que seria bom compartilhar a notícia.
Afinal, se a gente não fizer a propaganda de que lá era "O" lugar há um sério risco de que só tenha valido a pena pelos churrascos grátis, pela pirataria e pelo futebol a qualquer hora, ce qui est déjà pas mal...
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8:43 PM
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Labels : arrogância, engenharia, Polytechnique
segunda-feira, novembro 05, 2007
A vida moderna
Cena do quotidiano: ônibus lotado na grande metrópole. Caos, incômodo, cansaço, calor e sofreguidão. De repente, um estridente apito vem tirar o pouco de paz que ainda havia entre os passageiros.
Uma jovem senhora aparentemente é a causa do ruído. Precipita-se em direção a um banco, senta-se parcialmente em cima de um passageiro e ainda atinge o ventre dele com sua grande bolsa.
Busca vorazmente seu celular dentro da bolsa, com o frenesi da adolescente que aguarda a ligação do primeiro namorado. Finalmente encontra o aparelho, olha o identificador de chamada, diz "Ah...", dá de ombros e silencia o bichinho.
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Bruno
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10:34 PM
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quarta-feira, outubro 31, 2007
Desde a infância me preocupo com o que se passa em alguns países de nossa Latino América...Não, não falo do flagelo imposto aos pobres camponeses colombianos nem do massacre dos indíos mapuches. O que realmente me incomoda é compreender como peruanos, bolivianos, venezuelanos e afins conseguem sobreviver e até mesmo serem felizes sabendo que suas equipes de futebol são medíocres.
Acreditem em mim, a falta de esperança é das coisas mais tristes que existem. Eles sabem que suas seleções não chegarão a lugar algum. Começam as Libertadores com plena consciência de que serão eliminados em pouco tempo. E ainda assim eles estão lá, indo nos estádios, festejando, vivendo, enfim.
Como quase tudo na vida, a felicidade é percebida pela diferença entre a expectativa e o que de fato ocorre. Ora, se a previsão é de fracasso e ele de fato se confirma, não há martírio, não há problema. Os peruanos não têm a obrigação de serem os melhores do mundo. Eles de fato fazem figuração e nem deve doer tanto.
Só comecei a compreender perfeitamente esse raciocínio quando o Palmeiras tornou-se mero coadjuvante do futebol nacional. No início do ano eu tinha plena consciência de que não haveria conquista alguma para celebrar, e realmente ver o título do São Paulo (mesmo com o Palmeiras em segundo no momento em que escrevo) é tão indolor quanto assistir um pôr-do-sol.
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11:04 PM
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terça-feira, outubro 30, 2007
Ah, les Français
(No fundo, eu até acho que eles estão certos na maior parte das vezes)
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domingo, outubro 28, 2007
Constatação
Quando você pensa que seus poucos anos de convivência com latino-americanos em geral foram suficientes para que a cultura do lado de lá do subcontinente não provoque mais nenhum espanto, aguarde...Eles sempre são capazes de surpreender.
Além do já tradicional verme na tequila, do lanche do Mc Donald's contendo pasta de abacate e da transformação de fofos porquinhos-da-índia em petiscos, acreditei que eles não fizessem mais nada de esdrúxulo com a boca. No entanto, a surpresa dessa vez não é exatamente gastronômica...
De acordo com a tradição peruana, durante a festa de casamento o marido deve tirar a cinta-liga da noiva utilizando apenas os dentes, e isso na frente de todos os convidados (y compris a família da noiva, claro).
Coroando o ritual, ele atira a peça de roupa para os homens solteiros, no equivalente ao nosso tradicional lançamento de buquê. Enfim, estranho sempre é o povo do lado de lá dos Andes...
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Bruno
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7:03 PM
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terça-feira, outubro 23, 2007
Para pensar...
Imaginem como seria um jogo de ping-pong na Lua...
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Bruno
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10:08 PM
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