sábado, novembro 08, 2008

Depois da crise mundial e demais hecatombes...

Um amigo meu (que não sou eu) resolveu comprar um presente para a namorada são-paulina (que não é a Renata). Num ato de despreendimento clubístico, esse amigo escolheu uma almofadinha em formato de coração com o distintivo do referido tricolor paulista. Ah, como o bom senso nos abandona nessas horas.

Na hora de passar no caixa, a funcionária educadamente me perguntou (digo, perguntou para o meu amigo) se era para presente. A resposta afirmativa era um tanto quanto óbvia. "Presente para homem ou para mulher?", ela insistiu.

Aposto o que restou da minha masculinidade que se o time fosse qualquer outro eu não teria passado por viado comprando presente para o namorado tricolor...

quinta-feira, novembro 06, 2008

Eu avisei...

"Domingo, Janeiro 13, 2008

Todo mundo já se perguntou porque as coisas acontecem de um dado modo e não de outro. Boa parte da física existe para responder a essa pergunta. Por exemplo, a noção de entropia serve para explicar porque as coisas acontecem prioritariamente num sentido e não em outro (como no exemplo clássico de que uma pedra cai e esquenta um pouquinho o chão, enquanto esquentar um pouquinho o chão raramente provoca um movimento da pedra).

Mas não é disso que eu quero falar. Estou pensando na dúvida básica, na situação da encruzilhada: dada uma bifurcação do destino, qual caminho é escolhido?

Novamente há argumentos entrópicos, explicações falando em quantidade de estados acessíveis, medidas de probabilidade, potenciais químicos que se igualam, etc. Proponho no entanto um modelo muito mais simples e unificador: as coisas acontecem de maneira a maximizar a quantidade de piadas.

Como ilustração desse princípio fundamental, tomemos o caso da eleição norte-americana. Eu acreditava na eleição do Obama simplesmente pelo trocadilho estúpido Obama-Osama. Hoje descobri o middle name do cidadão: Hussein.

Sim, meus caros, Barack Hussein Obama. Diante disso, não há dúvidas de que as forças da natureza vão dar um jeito de elegê-lo.

À guisa de exercício, peço que os leitores pensem em alguma de suas recentes frustrações (porque em geral só se pensa "puxa, por que as coisas foram assim?" quando o resultado não é bom) e vejam como a desgraça proporcionou mais piadas...

Publié par Bruno à 8:20 PM

Libellés : notícia, Termodinâmica "

domingo, novembro 02, 2008

No ano em que prestei Fuvest, fiquei esperando o resultado sair na casa de um amigo. Estávamos em 4: Ulisses, o dono da casa, que havia prestado Medicina e ficado já na primeira fase (ele acabou passando no ano seguinte, não fique preocupado, caro leitor), Barbosa, um postulante ao Largo de São Francisco (atualmente advogado...) e o Leandro (vulgo Bolinha), outro aspirante a politécnico.

Quando finalmente conseguimos ver o resultado pela internet (a banda larga de 2002 não era tão larga assim...) ficamos muito felizes pois os três tinham sido aprovados. Após uns 3 minutos de euforia e comemoração, alguém resolveu olhar melhor aquela lista e...

O número do curso ao lado do nome do Leandro não era o de Engenharia. Ele havia sido aprovado em Matemática Aplicada e Computacional ou algo parecido, a segunda opção. Foi algo tão frustrante que aquele momento ficou conhecido como "o gol anulado do Sandro Hiroshi".

Sinceramente não me lembro se a origem era alguma referência à quantidade de gols que ele perdia pelo São Paulo ou àquela suspensão e confusão com perda de pontos que aconteceu por ele ter falsificado a idade. No entanto, o nome permaneceu na minha cabeça como sinônimo de grande alegria seguida de frustração absoluta.

Ao ver a decisão da Fórmula 1 de ontem, foi impossível não lembrar daquela noite. Uma das imagens mais tristes do dia mostra a família do Massa pulando e comemorando com parte da Ferrari quando subitamente alguém repara na televisão que eles não eram os campeões. Cômico se não fosse trágico.

O fim da minha história pessoal é que o meu amigo foi aprovado na segunda chamada, concluiu tranqüilamente seu curso em 5 anos e provavelmente não é mais um feliz desempregado.

Já Felipe Massa deve estar pensando se não teria sido melhor prestar vestibular mas seu saldo milionário no banco rapidamente o acalma.

domingo, outubro 26, 2008

Eleições

É um exercício mental comum em início de curso pedir aos alunos que imaginem como serão suas vidas ao final da faculdade. Ouso dizer que ninguém consegue acertar o futuro, por mais claros e bem definidos que sejam seus planos.

No caso em que esses planos nem existem, aplica-se o velho aforismo "Quem não sabe onde quer chegar, então não sei qual o final dessa frase". Enfim, espero que o caro leitor tenha entendido a intenção.

Eu, particularmente, tinha um plano razoavelmente certo até o meio do curso. Dali para a frente estava tudo por conta do famoso Deus-dará. O que eu nunca esperaria era chegar no final do curso trabalhando para engenhos de açúcar e votando no PFL. Acho que levei -350 anos para me formar, é a única explicação plausível...

quinta-feira, outubro 23, 2008

No escritório

Telefone toca.

-Op2B.
-P3D?
-Op2B!
-P3D???
-Não, Op2B.
-Ah, não é da P3D?
-Não.
-Desculpe.

Moral: nunca ocupe a sala que era de uma empresa com nome bizarramente parecido com o seu.

segunda-feira, outubro 20, 2008

Sem Matlab para você

Você percebe que passou muito tempo programando quando chega em casa, abre o jornal e vê a seguinte notícia:

sábado, outubro 18, 2008

Fim de curso

Hoje acabaram as aulas no cursinho em que dei aulas este ano.

Chamar de "cursinho" é exagero da minha parte. No segundo semestre a freqüência de alunos estava tão baixa que era possível contar o número de alunos com os dedos das mãos, posteriormente com uma mão só e finalmente hoje apareceu um único indivíduo.

Eram quase 80 alunos no começo do ano. 1 resistiu até o final.

Por esse ângulo minhas aulas devem ser piores que o curso do BOPE.

Que a garra do sobrevivente único continue acompanhando esse rapaz e que um dia multidões venham assistir aos meus cursos.

quinta-feira, outubro 16, 2008

Cenário clássico: ônibus na Usp, alunas estrangeiras entram. Seria possível sentir o passaporte comunitário delas mesmo que elas não tivessem tentado pagar o ônibus com notas de 20 reais amassadas (parênteses tardios: sempre tive a impressão de que na França as pessoas amassavam mais o dinheiro do que aqui. Por outro lado, as moedas de euro, por serem mais grossas, eram capazes de rodar por metros e metros, fugindo completamente do seu portador original. Creio que ambos os fatos indicam a soberba européia em relação a bens materiais. Pode ser só preconceito meu. Fim do longo parêntese tardio).

Uma delas, claramente italiana (apesar de estar sem botas e sem enormes óculos escuros) ficou no banco em frente ao meu. Uma amiga dela parou a seu lado e a terceira acabou sentando-se no banco vizinho ao meu.

Apesar dos traços europeus, essa última evidentemente não cheirava como italiana. Então ela abriu a boca para falar com uma outra menina que acabava de se juntar ao grupo: "Mais tu sais qu'il y a un..."

quarta-feira, outubro 15, 2008

A questão que permanece

Inventar algo original, complexo e potencialmente útil mas que fica esquecido num canto de biblioteca de uma universidade qualquer ou fazer continhas para ajudar mega transnacionais a se tornarem ainda mais mega (mantendo-se a transnacionalidade constante, creio eu)?

domingo, outubro 12, 2008

A amizade - uma abordagem vetorial

Todos conhecem aquele ditado/adágio/aforismo que diz "Os amigos dos meus amigos são meus amigos". Pois bem, admitamos que isso seja verdade. Se os amigos dos seus amigos são seus amigos, então os amigos dos amigos dos seus amigos são amigos de amigos seus, conseqüentemente também são seus amigos. Progressivamente, todas as pessoas do mundo serão seus amigos, incluindo seus inimigos. Por redução ao absurdo, concluimos que o ditado é falacioso.

No entanto, há alguma verdade intuitiva nele. Afinal, pessoas sensatas tendem a escolher outras pessoas sensatas para compartilhar seus bons e maus momentos. Sendo você sensato, seu amigo sensato e o amigo do seu amigo sensato, é possível que o ditado se aplique. Resta, entretanto, definir o que se entende por "sensato".

Para mim, colocar piercings e correntes em todos os orificios do corpo não é algo elogiável. Obviamente conclusão oposta seria obtida com alguém já devidamente perfurado. Tudo bem, respeito a opinião deles mas não surpreende que meus amigos não tenham tantos piercings assim.

Creio que o ditado do primeiro parágrafo possa ter uma explicação gráfica interessante. Considere que eu sou o vetor vermelho e um amigo genérico seja o verde:



Como eu e meu amigo verde gostamos bastante de futebol bizarro, podemos manter assunto por tempo suficiente para descobrir outras afinidades, estabelecendo talvez uma amizade.

Agora imagine que meu amigo verde tem um amigo amarelo:



Provavelmente ele já não vai ser tão simpático comigo. Ainda pior será a minha relação com o amigo azul...Em resumo, podemos esperar que o azul seja amigo do amarelo, o amarelo do verde e o verde de mim, mas não parece que eu e o azul tenhamos muita afinidade. Os amigos dos meus amigos podem ser meus amigos mas o raciocínio não se propaga até o infinito. Na minha interpretação isso ocorre porque existe uma dimensão extra nos interesses: se houvesse uma única então os vetores de todas as pessoas seriam coincidentes e o mundo seria utópico e monótono.

Claro que o desenho ilustrativo é uma simplificação bastante grande. Pessoas têm centenas de eixos de interesse mas se fosse possível quantificar adequadamente esses interesses e definir um nível de tolerância de cada indivíduo (representando quão disposto cada um está de aceitar um vetor distante do seu), seria viável prever amizades. Ou não.

terça-feira, outubro 07, 2008

Algumas mentes maldosas diziam que eu tinha um amigo imaginário chamado Da Gota. Tratava-se de um delírio esquizofrênico altamente complexo, ele tinha personaliade própria, histórias, dramas. Obviamente tudo isso era possível apenas porque ele existe de fato.

Dos amigos de colégio ele foi o único que tomou a decisão correta de ganhar a vida com jornalismo esportivo. Após anos de faculdade, o atual jornalista tem seu próprio blog.

Fica o link e o convite a todos: alinhadoesporte.blogspot.com

segunda-feira, outubro 06, 2008

Constragimento diante de velhos amigos

-Puxa, há quanto tempo!

-Desde o dia 20 de setembro, meu caro.

-E aí, muitas novidades?

-Na verdade não. Às vezes um ou outro amigo seu passava por aqui, deixava uma mensagem de apoio. Nada comparável aos velhos tempos.

-Eu sei, me desculpa.

-Não, eu entendo, não quis te constranger. Imagino que os últimos tempos não tenham sido fáceis. Como foi lá no Rio?

-Perdemos.

-Ah, que novidade. Te conhecendo tão bem, não sei porque me dei ao trabalho de perguntar. Vai me dizer agora que vocês trabalharem bem, sofreram, chegaram na final e aí num golpe de azar tudo foi perdido?

-É, podemos descrever assim. Alguém te contou isso também?

-Não, simples dedução lógica...6 anos de arquivo permitem que diversas conclusões sejam obtidas. E o estágio, já explodiu muita coisa?

-Explodi?

-Você não está num centro de pesquisas sobre energia nuclear?

-Sim, estou fisicamente no centro mas não trabalhando com as partículas radioativas. Infelizmente para mim, felizmente para São Paulo. Tudo vai bem, apesar da tradicional "falta de tempo".

-Tenho certeza que você pensou em mim nas últimas semanas...


-É, seu convencido, o pior é que é verdade. Palmeiras assumindo a ponta depois de n anos, bolsas de valores transformando fortunas em amendoins e agora a grande novidade: ganhamos o Ig Nobel! Essa eu não poderia deixar de compartilhar com você...

http://www1.folha.uol.com.br/folha/ciencia/ult306u451675.shtml

Declaro solenemente reaberto O (we)Blog. Desculpas aos fãs e companheiros inseparáveis, vamos em frente...

sábado, setembro 20, 2008

Frase do dia

"The matematicians and the physics men have their mythology; they work alognside the truth never touching it; their equations are false but the things work."

(Robinson Jeffers)

terça-feira, setembro 09, 2008

Ah sim, o estágio

Trabalhar com cana-de-açúcar me traz más lembranças de nossa época colonial...Mesmo sem fazer nada "mão na massa", só o tema já me deixa meio feitor pós-moderno.

Viadagem, eu sei.

segunda-feira, setembro 08, 2008

Emissões...

"A gente sempre acha que um filme, por ser um bem cultural, não polui", afirmou o diretor, na sexta (29), em entrevista a um grupo de jornalistas paulistas que acabara de assistir a "Linha de Passe". "Mas polui. E nós fizemos o cálculo: foram 118 mil toneladas de carbono [lançadas na atmosfera]. Para compensar isso, foram plantadas 7,5 mil árvores nativas em três hectares do Parque de Carbono da Pedra Branca, no Rio de Janeiro." (http://cinema.uol.com.br/ultnot/2008/08/29/ult4332u854.jhtm)

118 mil toneladas. 118.000 toneladas!

7500 árvores.

16 toneladas por árvore.

Densidade da madeira: 700 kg/m³ (http://www.simetric.co.uk/si_wood.htm)

Volume de cada árvore: 23 m³.

Admitindo que a árvore é simplesmente um cilindro de madeira de 1 metro de diâmetro, cada árvore precisaria ter 7 metros de altura.

É, considerando que as raízes não aparecem na minha conta parece que o Walter Salles não mentiu.

Este blog, pobrecito, andou abandonado. Sinto muito.

Diversos eventos se sucederam e impediram o andamento normal dos posts. Nesse meio tempo tanto o número de aulas restantes na faculdade quanto os dentes do siso na minha boca foram reduzidos a zero. Não muito traumático em nenhum dos casos, felizmente.

Hoje inicia-se uma nova fase. Maiores detalhes não serão dados porque eu não quero ser seqüestrado, afinal ninguém precisa saber que eu vou ganhar R$20.000 por mês como estagiário.